.Minério de ferro - fonte de energia para a arte de Margarette Mattos.

Por Izabel Aarão

Izabel Aarão na Ponte do Brooklyn

Ela trabalha com as mãos e  através do minério de ferro capta  energia  para desenvolver sua arte. É uma forma envolvente de sentir prazer quando coloca na tela com profusão suas cores preferidas: preto e vermelho. A dualidade entre os tons, a ausência e o exagero, pode ser observada na maioria dos quadros da  artista capixaba Margarette Mattos. Ela mora em Cambridge, há quatros, já soma no currículo 10 exposições fora do Brasil. Margarette foi sorteada na loteria do visto, a sorte esteve e continua morando ao seu lado. Antes de se fazer as malas com destino ao Estados já tinha apresentado o seu trabalho por aqui e na Europa. “O mercado americano é bom, não tem nada a reclamar, quando  morava no Brasil eu vinha fazer exposições  aqui, era muito bom. É bom viver de arte. Somos brasileiros, temos uma criatividade muito grande, fazemos de tudo, de camisetas, sandálias, roupas caras. Tudo é arte”.
O trabalho de Margarette no Brasil também era reconhecido. Ela fala com orgulho. “ Lá eu vivia de arte.” Mas quando chegou por aqui teve que começar do zero.  Admite, teve muita sorte, como ganhar a loteria do visto, mas também foi ousada e corajosa. Não teve medo de começar de novo.  Essa força ela transborda nas telas quando as cores vemelha e preta são destacadas. “O minério de ferro que uso também é muito vibrante e tenho que ter muito cuidado, pois um pode roubar o brilho do outro”. A  melhor receita, então, é manter o equilíbrio e lançar mão do dourado para dar um certo ar  de sofisticação.
Na verdade, confessa sem meias palavras. “Eu converso com as tintas”. Margarette tem um estúdio em sua própria casa, mas é por pouco tempo. Ao comentar o material utilizado destaca que o mercado americano contribui com  algo mais no que diz respeito à qualidade, entretanto, continua trazendo o minério de ferro do Brasil. Mas quando necessita algo novo, adimite que precisa gastar um pouco mais. “ Temos muito material aqui que não dá para comparar. Quando se ganha em dólar, gasta-se em dólar. Mas mesmo no Brasil sempre usei bom material”.

A artista capixaba sabe que o público americano é exigente. Os consumidores de arte, muitos colecionadores, sabem o que estão comprando. Apresentando seu trabalho nos Estados Unidos, um mercado amplo e sólido, ela sabe que tem muito mais visibilidade do que no Brasil. A cultura americana  é o diferencial. Os artistas estrangeiros que moram aqui criam novos hábitos. “ Nós podemos, em um dia de verão, reunir um grupo de artistas em um parque, e isso não dimunui nosso trabalho” . Isso, para Margarette, é uma forma, também, de promover o intercâmbio entre a classe, que não se limita apenas a conhecer um mero artesanato.