FLAM 3 - Fórum de Arte Livre
Texto e fotos Margô Dalla-Schutte
A FLAM 3 - Forum de Live Art, apresenta em Amsterdam de 15 a 20 de abril de 2012, uma semana de performances com artistas holandeses e brasileiros. Um intercâmbio entre artistas dos dois países.
A primeira edição do projeto, que tem como diretores a brasileira Rose Akras e o holandês Dirk Jan Jagen, aconteceu em 2010. Esta é a terceira edição do projeto.

Os participantes selecionados para o FLAM 3, apresentaram projetos de arte performática-, modalidade de manifestação artística interdisciplinar que, assim como o happening, pode combinar teatro, música, poesia ou vídeo. A arte performática é característica da segunda metade do século XX e suas origens estão ligadas aos movimentos de vanguarda-, como o Dadaísmo, Futurismo, Bauhaus, etc.
As performances de Dora Longo Bahia, Fernando Belfiore, Esmee Geerken, Guilherme Peters, Ieke Trinks, Marco Paulo Rolla, Veridiana Zurita, Maurício Ianês, Nancy Mauro-Fude, Rose Akras, Moritz Ebinger, Dirk Jan Jager, JiHyun Youn, Vincent Riebeek, Florentina Holzinger, poderão ser assistidas na Rokin 112, Maatschapij Art et Amicitiae.
A abertura do FLAM 3, aconteceu no 15 de abril de 2012, na Spui, centro de Amsterdam, com a instalação/interferência urbana da artista brasileira Néli Azevedo, chamada “Melting Men“.

In Front Of
Na abertura da “Melting Men” conversei com a artista plástica mineira, radicada em São Paulo, Néle Azevedo. Foto abaixo de Marina Kodama Kinoshita.

Desde 2005, Néle Azevedo apresenta a intervenção urbana “Monumento Mínimo”. Suas esculturas com cerca de 20 cm cada, são feitas de gelo, em formas de plástico, que juntas formam um cenário interessante e inusitado.

Sobre a Melting Men
“Esta intervenção urbana eu fiz em várias partes do mundo como Japão, Cuba, Alemanha, Itália, Portugal, Brasil, Amsterdam; enfim, já apresentei em 17 cidades do mundo.
Monumento Mínimo são duas formas, duas figuras de mulheres e homens. Para esta de Amsterdam, preparamos 350 esculturas de gelo porque o espaço é pequeno e aqui não temos escadas. O ideal é arrumarmos todas em degraus.

Na verdade esta intervenção que pode, a princípio, parecer que é o mesmo trabalho, na verdade não é. O que a diferencia é que em cada lugar/cidade, exige um tipo de procedimento e acontece de outra forma. Esse é o grande desafio-, a mudança de espaço e em como podemos realiza-lo. Em Amsterdam, passamos 4 dias dentro de um enorme frigorífico, um armazém de comidas congeladas que fica fora de Amsterdam. Trabalhamos com uma temperatura de -10º c fora das câmaras frigoríficas e dentro com cerca de -23º c. Foram 4 dias inteiros para fazer as esculturas de gelo e desinforma-las.
A última intervenção que fiz antes de vir para Amsterdam, foi em Stavanger na Noruega com mais de 1000 esculturas. Fizemos na praça principal da cidade e o espaço era muito grande. Foi interessante e muita gente passou por lá enquanto as esculturas ainda estavam congeladas.”
Como a idéia surgiu
“A idéia do trabalho aconteceu em uma tese de mestrado na Universidade Paulista. Desenvolvi o conceito, a forma e comecei a realiza-la sozinha. Estudava a história das cidades, porque tem a ver com o conceito do monumento, do monumento ao contrário.

Normalmente, um monumento é grande e fiz um pequeno. Comecei a quebrar as características do monumento. Ele não tem rosto e nem oficialmente, homenageia uma pessoa, mas sim a todos nós. É o contrário do monumento oficial que é feito para durar; então eu faço um que é para acabar. É para o esquecimento, embora ele fique na memória.”
In Front of
“A primeira intervenção urbana foi em São Paulo em 2005 e a partir dela, tenho caminhado pelo mundo com essas peças. Comecei a fazer de um a um e colocava nas cidades. Durante 5 anos aconteceu assim e então eu resolvi colocar uma multidão que desaparece depois de descongelar.
Aqui em Amsterdam é uma versão pequena. A intenção era a de que as pessoas se sentassem em frente e sentissem a experiência do tempo e refletissem sobre a finitude dele. Queria que sentissem que nada é eterno, que tudo tem um tempo, que a gente tem um tempo, que sentissem esta experiência do tempo.”

*Néle Azevedo nasceu em Santos Dumont, Minas Gerais e vive há mais de 20 anos em São Paulo. Ficou conhecida com seu projeto de intervenções urbanas “Monumento Mínimo”, que subverte os cânones do monumento convencional reduzindo a escala a centímetros, substituindo pessoas ilustres por cidadãos comuns, e troca materiais duradouros por gelo.
*De Amsterdam, Néli Azevedo segue para Belfast, na Irlanda.
FLAAM 3 - Programa
Seg 16 de Abril:
Abertura Arti et Amicitiae 20:00 - 23:00
Steve Martin Snider, Noha Ramadan, Vincent Riebeek e Florentina Holzinger - Concerto
Veridiana Zurita BR - Script
Ieke Trinks NL - Marco Paulo Rolla BR - Narciso
Maria Lalou GR - Time Lapse
Ter 17 de Abril:
Performances - 20:00 - 23:00
Vincent Riebeek NL e Florentina Holzinger AT - Justiça (por Vincent para Flo) para Solo e Vincent (por Flo para Vincent)
Guilherme Peters BR - Roll-in
Dirk Jan de Jager NL e KR Jihyun Youn - Posse
Nancy Mauro-Flude AU - Danças com sua sombra
Wed 18 de abril:
19:30 mesas redondas de discussão - 21:30
Os oradores convidados: Marco Paulo Rolla, Tatjana Macic e WJM
Dora Longo Bahia - 21:30 - 23:00 (estreia europeia!)
Qui 19 de Abril:
Performances 20:00 - 23:00
Esmee Geerkens - Trajetórias 2
Rose Akras - Movimento com um produto residual: Space 2
Marco Paulo Rolla
Dora Longo Bahia
Sex 20 de Abril:
Performances e encerramento - 20:00 às 1:00
Fernando Belfiore BR
Maurício Ianês
Guilherme Peters
Dora Longo Bahia

