Por Camila Dalla Brandão - fotos Margô Dalla-Schutte
A jornalista e fotógrafa Margô Dalla-Schutte, inaugura exposição de fotografias das Paneleiras de Goiabeiras no Teatro Munganga http://www.munganga.nl/em Amsterdam.
Foto Stela Alves

Paneleiras de Goiabeiras
Socializando a cultura capixaba/brasileira além-fronteiras.
A Embaixada do Brasil na Holanda, aprovou preliminarmente, e depois o Ministério das Relações Exteriores confirmou, o projeto de exposição fotográfica da jornalista e fotógrafa capixaba Margô Dalla-Schutte, residente nos Países Baixos, intitulado “Paneleiras de Goiabeiras”. A fotógrafa vem registrando o ofício das paneleiras há anos e decidiu mostra-lo em Amsterdam, capital da Holanda. A mostra acontecerá no Teatro Munganga -, um importante e conhecido local daquela cidade, no período de 09 de junho a 09 de julho de 2012.

As “Paneleiras de Goiabeiras” são artesãs, que residem no bairro de Goiabeiras, em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo. Com destreza e habilidade confeccionam em barro, panelas, potes, travessas, bules, caldeirões, frigideiras e outros utensílios de diversas formas e tamanhos. O processo de fabricação é praticamente o mesmo que os índios usavam quando aqui aportaram os portugueses à época do descobrimento do Brasil.
A identidade cultural desta atividade, tem sido mantida praticamente na íntegra, há várias gerações. São avós, mães, filhas e netas exercendo o mesmo ofício. Originalmente, as Paneleiras trabalhavam individualmente em suas próprias casas. Atualmente, mais organizadas, estão agrupadas e atuam na Associação das Paneleiras de Goiabeiras, que funciona em um galpão no bairro de Goiabeiras Velha em Vitória, onde cada uma, independentemente, produz e comercializa suas próprias peças.

A Associação das Paneleiras de Goiabeiras (APG) foi criada em 1987. Atualmente, fazem parte da Associação 120 membros, dos quais 80% são mulheres. Cabe registrar que em 2002, o fazer das panelas de barro foi registrado no Livro do Conhecimento - “Ofício Paneleiras” como parte do Patrimônio Cultural do Brasil, e agraciada com o Prêmio Top 100 de Artesanato, em 2006, pelo Sebrae.
Essa atividade é de extrema importância do ponto de vista econômico, tendo em vista que a renda que auferem, é significativa no contexto da manutenção de suas famílias. Diante disso, podemos afirmar que, há muitos anos, esse trabalho tem garantido a sobrevivência econômica de muitas famílias. Cabe destacar que a Associação já se tornou um dos pontos turísticos da cidade, sendo visitada, regularmente, por turistas interessados em adquirir as peças e ver como as mesmas são confeccionadas.

Para se ter a exata dimensão da importância desta atividade cultural, foi aprovado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em reunião de 21/11/02, o registro do ofício das Paneleiras de Goiabeiras para ser inscrito no Livro de Registro dos Saberes e declarado Patrimônio Cultural do Brasil.
A partir daí, o saber envolvido na fabricação artesanal de panelas de barro foi registrado como Patrimônio Imaterial no Livro dos Saberes em 2002. O processo de produção no bairro de Goiabeiras Velha, em Vitória, no Espírito Santo, emprega técnicas tradicionais e matérias-primas provenientes do meio natural. A panela de barro, fruto de um conjunto de saberes, constitui suporte indispensável para o preparo da típica moqueca capixaba. Desde 2002, o ofício de fazer panelas de barro passou a ser reconhecido nacionalmente como um Bem Cultural de Natureza Imaterial e titulado como Patrimônio Cultural Brasileiro. A inclusão das Paneleiras como Patrimônio Cultural Brasileiro foi uma iniciativa do Ministério da Cultura e do, já citado, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A medida se tornou possível por intermédio do Decreto Federal 3.551/2000, que instituiu o registro de bens culturais de natureza imaterial.

Reconhecida nacional e internacionalmente como objeto de arte popular, a panela de barro não perde sua tradição utilitária. Está associada à genuína culinária espírito-santense, principalmente no preparo da moqueca e da torta capixaba. Raiz da cultura popular do Espírito Santo, a legítima panela de barro capixaba é identificada por um Selo de Qualidade da Associação das Paneleiras de Goiabeiras.

A partir desse cenário, tem-se que a produção artesanal de panela de barro, é uma das maiores expressões da cultura popular de Vitória e do Espírito Santo. A técnica na produção, assim como a estrutura social das artesãs, tem sido preservada, já que pouco se alterou em mais de 400 anos, isto é, desde quando era produzida nas tribos indígenas e, portanto merece ser amplamente divulgada no contexto histórico e cultural local bem como ser levada ao conhecimento no cenário internacional.
Este projeto visa principalmente a disseminação da cultura capixaba na Europa, começando por Amsterdam, cidade onde reside a artista. Um dos pontos importantes do projeto de Margô, é o fato inédito de que, será mostrada, pela primeira vez em outro país, todos as etapas de como são feitas as panelas de barro capixabas.
O projeto “Paneleiras de Goiabeiras” tem como objetivo principal divulgar/disseminar/difundir essa importante cultura capixaba considerada Patrimônio Cultural do Brasil para outros países, sendo a principio para Amsterdam.
Programação:
1. Abertura oficial da Exposição “Paneleiras de Goiabeiras*” da fotógrafa brasileira, Margô Dalla-Schute,com coquetel para os convidados;
2. Apresentação de dois documentários/vídeos dos cineastas capixabas Clóves Mendes - “Panela de Barro - Tempero Capixaba” e Keko Sinclair - “Panela de Barro - Uma receita de 400 anos“;
3.Encerramento com pratos típicos a serem elaborados e servidos em panelas de barro individuais e degustação de caipirinhas com a cachaça capixaba Santa Terezinha do Entreposto Cachaça Santa Terezinha do Horto Mercado da Praia do Suá, em Vitória-, um importante centro de culinária, supermercado e entretenimento.
*A mostra de fotos intitulada “Paneleiras de Goiabeiras” consiste na exposição de 16 fotos - formato 85×60 mm e já conta com o apoio oficial e com a participação financeira da Embaixada Brasileira na Holanda.
*Agradecimentos especiais ao Dr. Ricardo Corrêa Dalla, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Tributário Internacional, Cláudia Maoli e Carlos Lagoeiro do Teatro Munganga, à designer Sheila Mara Vieira que criou o convite, flyer, cartaz e banner e Camila Dalla Brandão que fez o Projeto aprovado pelo Ministério das Relações Exteriores/Embaixada do Brasil na Holanda.
A exposição foi produzida pelo PeoplefromBrazil.com, patrocinada pela Embaixada do Brasil na Holanda e contou com o apoio do IBDTI _ Instituto Brasileiro de Direito Tributário Internacional, Teatro Munganga, Cachaça Santa Terezinha, ABZ Projetos e Produções, Sheilamara.com, Manerex.at, GSA Gráfica e Editora, DoBrasil Publicidade e Jornalismo, Plusfood - BRF e Impressa Comunicação&Design.
Sobre a fotógrafa/jornalista
Margô Dalla é fotógrafa/jornalista com mais de 30 anos de carreira. Trabalhou em importantes veículos de comunicação do Brasil como as Redes Tribuna e Gazeta, TV Educativa, Emcatur-Empresa Capixaba de Turismo, Secretaria de Meio Ambiente do Estado, Prefeitura de Vitória, TV Itapoã em Salvador/BA e Câmara dos Deputados em Brasília.
Promoveu outras exposições coletivas e individuais e realizou inúmeros documentários.
Mora há 5 anos na Holanda onde é blogueira. Tem um website, que promove a cultura brasileira no exterior www.peoplefrombrazil.com onde escreve e fotografa os artistas brasileiros que vivem fora do Brasil.
Atualmente documenta algumas culturas do Espírito Santo como os seringais, cana de açucar e suas aplicações, café. Fotografa também orquídias, paneleiras, bandas de congo, profissões de rua em extinção etc..

