.Hamilton de Holanda Quinteto

Fotos e texto Margô Dalla

A fundação A Hora do Brazil apresentou mais um show de primeira grandeza. O Palácio Bimhuis se rendeu à majestade – o “Príncipe do Bandolim” Hamilton de Holanda e seu grupo.

Cláudia Trajano e Neyde Lantier da fundação A Hora do Brasil abrindo o show.

Apelidado “Príncipe do Bandolim” pela imprensa francesa, e “King” pela brasileira, esse carioca/brasiliense traz em sua bagagem títulos como: “Melhor instrumentista Awards (por unanimidade), nas duas categorias de música – erudita e popular – da única edição do “Icatu Hartford de Artes”, em 2001. Com este prêmio, mudou-se para Paris onde viveu por um ano dando asas à sua criativade. Em 2007 ele foi selecionado para o Grammy Latino de Melhor Instrumental pela gravação de os “Brasilianos”, com sua banda “Hamilton de Holanda Quinteto”, em concorrência com nomes como Chick Corea e Béla Fleck. O quinteto também ganhou o prêmio TIM de Melhor Grupo de Jazz e ele próprio Hamilton, o de melhor instrumentista. Na cerimônia de abertura dos Jogos Parapanamericanos no Rio de Janeiro, Hamilton tocou o Hino Nacional. Outras pessoas o chamam de Jimi Hendrix do Bandolim. Estes são apenas alguns dos inúmeros títulos que esse músico de 33 anos tem recebido em sua tragetória musical.

Depois do show, uma entrevista.

Quando perguntei se toca jazz, samba, rock, pop music ou choro ele me disse que o que faz não precisa de carimbos – é um pouco disso tudo com influência do jazz, da bossa nova, sons da rua. Você só precisa gostar de ouvir, de ver, de sentir – disse Hamilton.

No palco, os músicos Daniel Santiago (guitarra), André Vasconcellos (baixo), Gabriel Grossi (harmônica) e Márcio Bahia (bateria) que juntos formam o Quinteto Hamilton de Holanda unindo técnica, integração perfeita e cheia de emoção.

O repertório

Primeiro foi o disco Brasilianos em 2005, em 2008 o Brasilianos 2 de onde vem o repertório com composições de minha autoria, inéditas – que agora não são mais – mas com esse espírito de um Brasil jazzístico, inspiradas no Brasil e com uma pitadinha de improvisação – quer dizer, é um pouco o perfil do grupo onde todo mundo tem liberdade de tocar e de criar algumas coisas na hora do show; por isso é considerado mais jazzístico. Na verdade o espírito é das melodias brasileiras, das coisas que a gente aprende lá – é como se a gente se jogasse num abismo e depois voltar no meio da melodia e da harmonia – o sentimento é esse.

As influências

Tive a sorte de ter nascido em uma família musical e nós ouvíamos Choro o tempo todo. Meu irmão é músico e meu pai também; minha base musical que me dá asas para fazer o que quiser. Além de ter uma família musical, nasci no Rio de Janeiro mas fui criado em Brasília. Fui pra lá com 11 meses – então eu sou brasiliense de verdade. Brasília é uma cidade linda – um museu a céu aberto com pessoas vindas de toda parte do Brasil, sempre querendo aprender e abertas a novas linguagens musicais e influências – então isso me alimentou definitivamente. O que faço hoje, o meu jeito de tocar, é porque vivi em Brasília.

O Bandolim

O Bandolim tem origem na Itália, chegou ao Brasil pelas mãos dos portugueses e lá se transformou em um instrumento tradicional do choro muito por conta de dois bandolinistas – o pernambucano Lupércio Miranda e Jacob do Bandolim que é considerado o patrono da escola brasileira de bandolim.

A intimidade com o Bandolim

A maneira que desenvolvi com o instrumento é única – não digo que é totalmente original porque na verdade para chegarmos ao que chamamos de original temos que passar por muitos mestres. Aprendi com o Jacob, com o Armandinho e com outros instrumentistas que seguiam e seguem outras linhas musicais e a maneira que encontrei de expressar essa diversidade foi criando meu próprio estilo – seja indo ao limite do instrumento tocando vários estilos ou compondo canções onde eu posso mostrar mais autenticidade com minha música, que espelha as coisas de Brasília e todas as influências desta cidade que no ano que vem – 2010 – completa 50 anos. Estamos fazendo história e tenho orgulho de ser parte dela usando meu bandolim, literalmente, como instrumento para levar essa beleza de nossa cidade, de nosso país para o mundo inteiro.

A dedicação ao instrumento

A partir do momento que eu me dediquei ao bandolim passou a ser mais fácil e mais objetivo. Se você quer aprender a tocar algum instrumento, tem que dar muita atenção à disciplina. Tem que ouvir e estudar – não digo aquela disciplina de ficar o dia inteiro, mas sim aceitar que você precisa de um tempo, todo os dias, para se dedicar à sua técnica; é isso me dá intimidade com o instrumento, toco todos os dias, desde pequeno. Meu objetivo é fazer com que o tempo do pensamento, da cabeça para os dedos seja o menor possível. Esse é o grande lance porque aí eu não preciso pensar só na técnica é só jogar sentimento e tocar com o coração.

A turnê pela Europa

Estivemos na Itália onde fizemos dois shows, Áustria, Alemanha, hoje (01/07) em Amsterdam – Holanda, amanhã vou para Portugal, depois Eslovênia, Alemanha de novo e volto para o Brazil. Por onde me apresento é sempre incrível a participação do público. Essa reação é maravilhosa para nós que estamos no palco. É fundamental!

E a gente percebe a enorme sintonia com os músicos.

Isso acontece porque a gente se conhece de Brasília desde muito tempo. Estamos juntos, então rola esta intimidade.

O show aconteceu no Bimhuis em Amsterdam no dia 01 de julho e faz parte da programação do The Brazilian Summer Sessions 2009, festival da fundação A Hora do Brasil.

O teatro lotado aplaudiu de pé o emocionante concerto do Hamilton de Holanda Quinteto.